Hospital Infantil de Joinville terá primeira ala psiquiátrica de SC

Setor será entregue em setembro e vai permitir que número de internações de crianças e adolescentes quadruplique. Investimento é de R$ 4,2 milhões

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O Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria, de Joinville, está prestes a se tornar a primeira instituição pediátrica pública de Santa Catarina a contar com uma ala exclusiva de psiquiatria. Em construção desde 2015, o setor deve ficar pronto em até 45 dias e vai abrigar 14 leitos, dez a mais do que a capacidade atual.
A expectativa é de que o espaço possa quadruplicar o número de pacientes psiquiátricos atendidos por ano na unidade. Isso com relação aos atendimentos realizados em 2016, quando houve 67 internações de crianças e adolescentes (até 17 anos) na psiquiatria do Hospital Infantil.

Até o momento, o serviço psiquiátrico é feito em quartos adaptados de um dos setores de internação.Com investimento total do governo do Estado de cerca de R$ 4,2 milhões, o novo ambiente vai funcionar em uma área de 1.200 metros quadrados, no primeiro andar do prédio.

O projeto foi elaborado com base na regulamentação estabelecida para leitos psiquiátricos, e as obras estão em fase de acabamento. A previsão da administração hospitalar é de que os trabalhos sejam concluídos no dia 10 de setembro.

De acordo com a diretora executiva do hospital, Estela Mari Galvan Cuchi, além de ampliar o número de leitos psiquiátricos e ter capacidade para receber mais pacientes, a ala terá salas adequadas para atividades recreativas, terapia, atendimento e inteligência. Haverá ainda um posto de enfermagem e refeitório.

– Depois que os atendimentos da ala psiquiátrica começarem, vai ser um alívio tanto para a sociedade, quanto para os pais, porque é uma angústia muito grande você estar com seu filho necessitando e não ter vaga. Para os pacientes também, por terem um local adequado para progredir – destaca.

Conforme a administração do Hospital Infantil, para ocorrer a ativação dos serviços depois de concluídas as obras, o governo estadual deverá fazer um contrato com um aditivo que contemple o repasse dos valores necessários para os custos dos atendimentos. O hospital estima gasto inicial de pelo menos R$ 250 mil por mês para viabilizar a manutenção do setor.

O jornal “A Notícia” tentou contato com a Secretaria de Estado da Saúde para saber se já há discussão quanto à forma com que será feito o repasse desses recursos e se existe previsão para a abertura dos atendimentos. Porém, até o fechamento desta edição não houve retorno oficial.

Foco na segurança

O Hospital Infantil Dr. Jeser Amarante Faria faz parte da rede de hospitais públicos da Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina e oferece 100% dos atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Há três anos a entidade presta serviços de psiquiatria em quatro quartos adaptados, conforme solicitação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) ao governo de Santa Catarina.

O espaço provisório pertence a uma das alas de internação geral, no terceiro andar do hospital, que foi adaptada para atender à demanda de pacientes até que a ala de referência seja ativada. Os leitos atuais passaram por adaptações, como a colocação de protetores nas lâmpadas e janelas. Também houve a retirada das réguas utilizadas para a saída de gases medicinais e das vitrines de vidro pelas quais a equipe de enfermagem acompanha os pacientes.

De acordo com o hospital, a medida é necessária para oferecer mais segurança aos pacientes, que, dependendo do caso, em contato com objetos como o vidro e os aparelhos de ar condicionado podem se machucar. Os quartos atuais voltarão a ser utilizados para internações de outros setores quando a ala psiquiátrica iniciar os atendimentos, uma vez que já vai contar com padrões específicos.

Os novos leitos terão, por exemplo, janelas com limite de abertura e vidro inquebrável para evitar que os pacientes que porventura venham a passar por risco ou surto se machuquem. Seguindo a regulamentação, as lâmpadas terão proteção de acrílico e a saída e a entrada do ar-condicionado são embutidas no teto. Todos os banheiros são adaptados para serem utilizados por pessoas portadoras de necessidades especiais.

Conforme Thiago Boeing, assessor do Hospital Infantil, a altura e a amplitude dos quartos, corredores e salas de recreação também são maiores em relação aos demais leitos, considerando a questão de acesso e segurança.

– O setor é bem amplo para que, embora tenha toda a questão de segurança de acessos, de monitoramento e de controle, o paciente não tenha a sensação de que está enclausurado. Isso serve para que ele se sinta em um hospital sendo tratado pelo que precisa – explica.

Números apontam necessidades

Com uma equipe multidisciplinar formada por psiquiatras, enfermeiros e profissionais de nutrição, pedagogia, psicologia, fisioterapia e assistência social, o serviço de psiquiatria do Hospital Infantil atendeu entre janeiro e dezembro de 2016, em média, 5,6 pacientes por mês.

A maioria com idade média de 13,5 anos.Cada paciente ficou cerca de 16 dias internado, cinco a menos que em 2015. Mesmo com o avanço, o tempo é considerado alto para casos de internações psiquiátricas. Segundo a gestão do hospital, o ideal é abreviar ao máximo a internação, retirando o paciente do surto ou do risco e fortalecendo a parceria com o CAPSi – casas terapêuticas e outros equipamentos do SUS.

Os dados apontam que os principais diagnósticos dos 67 pacientes que receberam tratamento psiquiátrico no local, no ano passado, foram transtorno bipolar (16 casos), esquizofrenia e depressão (11 casos cada). As internações atenderam à demanda de 26 cidades de SC, entre elas, Joinville (26 casos), Lages (5) e Jaraguá do Sul, Araquari e Florianópolis (três cada).

Durante o ano passado também houve redução no período em que houve “desperdício” no giro de leitos. O número de dias em que internações foram inviabilizadas por causa de questões burocráticas e judiciais caiu de 300 há dois anos para 31 em 2016. O resultado foi uma conquista da instituição em conjunto com o Poder Judiciário.