Passagem do trem fora da área urbana de Joinville ocorrerá só a partir de 2021

Promessa do DNIT é de que as obras saiam do papel em 2018

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A retomada das obras do contorno ferroviário de Joinville – que compreende um trecho de 17,9 km e abrange as cidades de Guaramirim, Joinville, Araquari e São Francisco do Sul – só deve acontecer no primeiro semestre do ano que vem. A estimativa foi confirmada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) nesta quarta-feira, em Araquari. Se seguir este cronograma, a expectativa é de que a obra fique pronta apenas em 2021 – uma década após ser interrompida, em junho de 2011, por problemas com a estabilização do solo em uma área de cerca de 6 km.

Agora, a continuidade da implantação da estrada de ferro EF-485 depende da atualização do traçado, soluções geotécnicas e revisões no projeto original da ferrovia. A expectativa é de que o novo plano seja finalizado até dezembro de 2017.

A estimativa de retomar as obras no próximo ano foi divulgada pelo engenheiro e analista do DNIT Marco Aurélio Fonteneles Cabral, durante a apresentação de um esboço dos resultados de revisão do projeto executivo da linha férrea, na Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Araquari (Aciaa). É necessária nova licitação para o reinício das obras, que deverão ser concluídas em um prazo de dois a três anos após a retomada.

As análises estão sob responsabilidade da Prosul – Projetos, Supervisão e Planejamento Ltda., contratada pelo DNIT para revisar o projeto executivo de engenharia do contorno ferroviário. Segundo o engenheiro Rodrigo Corrêa de Oliveira, que coordena o estudo, o projeto original, de 2006, precisou ser alterado por causa da necessidade de encontrar outra solução aos solos moles na região de inundação do rio Piraí, em Joinville.

– A revisão em si era mais de foco na solução dos solos moles, que já estava prevista, só que a estabilização de talude (plano inclinado que limita um aterro) iria demorar muitos anos. Então, vamos prever uma solução um pouco mais rápida, na época da obra – explica.

Fora da área urbana
As alterações também devem atender ao menos parte de uma reivindicação de Araquari. Para o presidente da Aciaa, Alcidir Boaretto, é necessário que o traçado que passa pelo perímetro urbano de Araquari seja alterado, uma vez que envolve questões de mobilidade urbana e segurança.Conforme ele, a rede ferroviária atual, que passa por dentro de Joinville, por exemplo, provoca interferências como acidentes, barulho e entroncamentos. Com a nova linha férrea, o traçado dentro de Joinville deve diminuir em até 7 km.

– O projeto inicial do contorno priorizou Joinville e São Francisco do Sul, mas continua passando por dentro de Araquari, cortando a cidade, e é essa a situação que precisamos discutir. O contorno é importante, é necessário, mas existe essa necessidade de revisão, utilizando, principalmente, as áreas próximas das rodovias e não cortando bairros – destacou Boaretto.

Segundo a Prosul, a revisão também busca atender à variante de Araquari. Conforme e empresa, ainda não há como afirmar qual será a solução adotada para a estabilização do solo. O projeto deve ser concluído em até quatro meses, e não existe, por enquanto, estimativa de alteração orçamentária para o contorno ferroviário de Joinville.

Recursos estão garantidos
Com a dependência da finalização do projeto de revisão para a elaborar um novo orçamento para a obra, o DNIT trabalha com a estimativa de que o custo total do contorno ferroviário de Joinville fique na ordem de R$ 250 milhões. Outros R$ 120 milhões estão previstos no contorno ferroviário de São Francisco do Sul, que compreende outros 8 km de extensão e também tira a ferrovia de dentro da cidade.

– Com a conclusão da revisão, vamos tentar recomeçar os trabalhos, que constam no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Há recursos destinados para isso. Essa obra é uma prioridade para Santa Catarina e que compõe as lâminas do PAC e do Ministério dos Transportes –, salienta Marco Aurélio Fonteneles Cabral, do DNIT.